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Do desenvolvimento às 1.531 salas: o caminho de Minha Melhor Amiga até a bilheteria

Em cinco semanas, o longa ultrapassou 5,2 milhões de ingressos vendidos. O percurso reúne desenvolvimento, mudança de calendário e o maior circuito de estreia já registrado para um filme brasileiro.

Até 4 de outubro, Minha Melhor Amiga acumulava mais de 5,2 milhões de ingressos vendidos e R$ 91,862 milhões de renda. O resultado colocava a produção em oitavo lugar entre as maiores arrecadações do mercado brasileiro em 2026, considerando filmes nacionais e estrangeiros. Na quinta semana em cartaz, permaneceu em segundo lugar no fim de semana, com mais R$ 6,1 milhões.

Antes desses números, o projeto atravessou um processo de desenvolvimento que pode ser acompanhado publicamente desde 2025. Em julho daquele ano, a Paris Filmes anunciava as filmagens em Lisboa ainda sob o título Minha Amiga. A produtora informava que a história havia sido inspirada em experiências de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli com as próprias filhas durante uma viagem à Europa em 2024. Andrea Batitucci, Mônica Martelli, Ingrid Guimarães e Susana Garcia apareciam então creditadas no roteiro.

Meses depois, o projeto já era apresentado como Minha Melhor Amiga. Materiais divulgados em dezembro registravam filmagens realizadas no Rio de Janeiro, Lisboa e Sevilha, produção da Paris Entretenimento e distribuição da Paris Filmes. A estreia estava marcada para 28 de maio de 2026.

Muito antes desse encontro como protagonistas no cinema, Ingrid e Mônica já haviam dividido uma mesma ficha de elenco. Entre outubro de 1997 e maio de 1998, ambas participaram de Por Amor, novela de Manoel Carlos. Ingrid interpretava Tereza, empregada de Sirléia; Mônica fazia Paula, principal secretária das empresas de Arnaldo Mota.

As trajetórias seguintes aproximaram as duas de uma faixa comercial importante do cinema brasileiro. Dados da ANCINE registram 5.235.611 espectadores para Minha Vida em Marte, protagonizado por Mônica Martelli, e 3.726.547 para Loucas pra Casar, estrelado por Ingrid Guimarães. Na mesma série histórica, Minha Mãe É uma Peça 3, dirigido por Susana Garcia, alcançou 10.978.173 espectadores. Os números situam Minha Melhor Amiga entre profissionais que já haviam participado de comédias brasileiras com público de milhões.

Entre dezembro e março, outra decisão passou a fazer parte do percurso do filme. A estreia anunciada para 28 de maio foi transferida para 3 de setembro. A Paris confirmou a nova data em 30 de março; posteriormente, Ingrid Guimarães, Mônica Martelli e Susana Garcia relataram à Folha de S.Paulo que o deslocamento buscava escapar da disputa direta com grandes lançamentos internacionais programados para maio. A escolha do calendário entrou, portanto, na própria estratégia de circulação.

Na véspera da estreia, a dimensão dessa distribuição tornou-se conhecida: 1.531 salas, 773 cinemas e 436 cidades. Segundo dados do Filme B divulgados pela Paris e pela ABRAPLEX, era o maior circuito inicial já registrado para uma produção brasileira. O recorde anterior pertencia a Minha Mãe É uma Peça 3, lançado em 2019 em 1.456 salas, 660 cinemas e 327 cidades.

A extensão territorial ajuda a dimensionar o dado. Em 2025, o parque exibidor brasileiro reunia 3.544 salas em 886 complexos, distribuídos por 466 municípios. São bases de períodos distintos, portanto não cabe estabelecer equivalência direta entre as 436 cidades do lançamento e os 466 municípios contabilizados no ano anterior. A proximidade entre as duas grandezas, contudo, mostra o tamanho do circuito mobilizado por uma única produção.

Nos primeiros quatro dias, cerca de 461,8 mil ingressos foram vendidos, levando uma produção nacional novamente ao primeiro lugar da bilheteria brasileira. Uma semana após a estreia, o acumulado já havia ultrapassado 1 milhão de espectadores.

Entre 10 e 16 de setembro, a trajetória encontrou outra variável relevante: a Semana do Cinema. A campanha promocional vendeu mais de 5,6 milhões de ingressos em todo o país. Desse total, Minha Melhor Amiga respondeu por 2,1 milhões de entradas e quase R$ 26 milhões de renda. Durante aqueles sete dias, mais de um terço dos ingressos comercializados no país foi destinado ao filme brasileiro.

Encerrada a campanha, o movimento continuou. Entre 17 e 20 de setembro, outros 726,23 mil ingressos mantiveram o longa na liderança pelo terceiro fim de semana consecutivo e elevaram seu acumulado a 3,86 milhões. Uma semana depois, mesmo perdendo a primeira posição para o relançamento de Vingadores: Ultimato, vendeu cerca de 409,7 mil ingressos no período e arrecadou aproximadamente R$ 9,7 milhões.

Três semanas após a estreia, o acumulado havia chegado a 4,37 milhões de espectadores e R$ 73 milhões. Em 2 de outubro, o Filme B já registrava a passagem dos 5 milhões; no fim de semana encerrado em 4 de outubro, a marca estava acima de 5,2 milhões.

Público e renda descrevem aspectos distintos dessa operação. Ingressos vendidos dimensionam alcance e permanência no circuito. Renda bruta registra quanto as sessões movimentaram nas bilheterias antes das divisões comerciais posteriores entre os agentes da cadeia. A Semana do Cinema também altera temporariamente a relação entre essas duas métricas ao combinar aumento de frequência com preços promocionais.

Para o mercado, a escala produz outro tipo de informação. Um lançamento brasileiro recente conseguiu ocupar mais de 1.500 salas, alcançar centenas de cidades, liderar a bilheteria durante três fins de semana consecutivos e permanecer entre as maiores arrecadações nacionais durante a quinta semana de circulação. Esses resultados passam a compor referências comparáveis para decisões posteriores de distribuição, programação e dimensionamento de lançamentos.

A trajetória também ajuda a separar duas etapas frequentemente observadas apenas pelo resultado final. Os 5,2 milhões de ingressos aparecem depois de desenvolvimento, produção internacional, escolha de calendário, articulação com uma distribuidora de alcance nacional, abertura territorial extensa, uma campanha promocional de mercado e semanas adicionais de permanência em cartaz. Bilheteria é o ponto mensurável ao final dessa sequência.

Minha Melhor Amiga demonstra que uma produção nacional ainda pode operar distribuição em escala de blockbuster no mercado brasileiro.

Fontes: Paris Filmes — desenvolvimento e filmagens · Paris Filmes — primeira data de estreia · Paris Filmes — alteração da estreia · Folha de S.Paulo — estratégia de calendário e exibição · Paris Filmes — circuito de estreia · ABRAPLEX — Semana do Cinema · Portal Exibidor — terceiro fim de semana · Filme B — dados atuais de bilheteria · ANCINE/OCA — Informe Mercado Cinematográfico 2025 · ANCINE/OCA — Anuário Estatístico do Cinema Brasileiro 2023 · Memória Globo — Por Amor